Colírio de Pimenta
Estamos na era da globalização e só os melhores irão sobreviver nessa era. Recentemente esteve em Macaé o Dr. Lair Ribeiro, homem renomado no cenário internacional da neurolinguística, autor do best seller “ O sucesso não ocorre por acaso” As dependências do teatro Municipal de Macaé estavam lotadas, gente para todos os lados, todos eufóricos para aprender a se relacionar melhor e alcançar o famoso sucesso.
Todo ano, algumas pessoas que tem uma visão empresarial aguçada, convidam vários palestrantes para ministrarem cursos de técnicas de abordagem de venda, como influenciar o cliente a comprar as suas mercadorias. Como os palestrantes Alfredo Rocha, Fernando Lucena e recentemente o Guilerme Badacci do Grupo Friedmam. Para ser ter uma idéia, os donos das lojas gastam a bagatela de 50 reais com cada vendedor para se aperfeiçoarem, se por acaso a loja tiver 10 vendedores, sai a R$ 500 reais, só que alguns comerciantes que se auto-proclama empresários(empresários de que?) se tem uma lojinha, no máximo duas, já se sentem o Rei da cocada-preta.
Acham 50 reais um absurdo, é muito dinheiro para ele enquanto outros mais sensíveis e inteligentes, resolvem investir em seus vendedores. Resultado, depois de algum tempo, os inteligentes saem na frente, conseguem vender 10 vezes mais que o menos inteligentes. Ai, eles dizem o seguinte: “Não sei como fulano consegue vender tanto, deve ter alguma coisa errada, ou estão sonegando ou comprando mercadoria falsificada”. Não meus amigos, a estória não é essa, infelizmente quando você passa na calçada de uma lojinha, você só falta ser laçado como um gado, e obrigado a entrar e comprar.
Em primeiro lugar os vendedores estão completamente desqualificados, nem “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” sequer eles dizem ao cliente, só visam o dinheiro. Em segundo, quando o cliente pede uma camisa branca, la vem eles com um arco-iris nas mãos, camisas de varias cores, quase obrigando o cliente a leva-las a força. Em terceiro, alguns donos das lojinhas completamente desequilibrados emocionalmente, que chega a ficar vermelho de vergonha, quase agredindo-o fisicamente como vemos todos os dias.
Recentemente entrei em uma lojinha numa galeriazinha, para comprar uma calça comprida da qual gostei. Entrando na lojinha, nem sequer “boa tarde” recebi. Repeti 3 vezes “boa tarde” parecia que a vendedora era surda-muda. Apontei para a calça desejada, experimentei e fui pagar no caixa, onde um dos donos parecia estar com dor de dente, com uma cara desses monstros de filme de terror. Quando viu o dinheiro ficou louco, só olhou para o dinheiro, como uma criança que pega uma bala das mãos de um adulto sem sequer olhar para no rosto de quem a deu. Avançou na minha mão e, desconfiado, revistou a nota como um perito do Banco Centra. Deu-me o troco, com aquela cara de Fred Kruger, completamente calado. Educadamente, como um lord inglês, falei para ele: “muito obrigado, boa tarde e boas vendas” ele continuou a ler o seu horóscopo calado. Essas pessoas (se é que podemos chama-las assim), nem parecem viver no século 21 e sim no 19, numa daquelas quitandas na roça, que vendiam secos e molhados. Não tem sequer educação. Hoje em dia as grandes cadeias de lojas e Fast food, estão todas padronizadas e nos tratam com devido respeito que nós merecemos. Daqui a algum tempo esses incompetentes irão a falência, e estarão vendendo geladinho nas praias. Só que ninguém irá comprá-los, pois já existem no mercado praiano pessoas simples, porem educadas, como os vendedores de geladinho Seu Doca e Joca, pessoas sensíveis e que tratam o cliente com o devido respeito e atenção, afinal de contas, eles dependem de nós para sobreviverem. Se uma calça custa 10,20, ou 50 reais a mais que uma semelhante e o cliente for tratado com educação, o cliente paga satisfeito.
Quando chegamos a uma residência e somos maltratados, nunca mais voltaremos, certo? Então porquê voltarmos a um estabelecimento comercial e sermos tratados como espírito desencarnado? Será que existe algum dono de loja vidente e que nos trate com respeito? Poucas lojas na cidade se preocupam com a satisfação do cliente. Se o cliente for bem atendido, espalha para 5 pessoas, o mal atendido espalha para 50. Esses são dados comprovados. Será que iremos passar por essa situação constrangedora até quando? Quando os donos dessas lojinhas irão informatizar o seu comércio? É por isso que alguns vendedores mal remunerados furtam mercadoria e nem sequer os donos desconfiam. Por que não estão preparados para esse mercado do século 21. Estão atrasados no tempo e espaço. É Melhor usarem um colírio de pimenta, para enxergarem a vida, o cliente seus empregados com uma outra visão. Alguns nem assim enxergarão, terão que usar um caminhão pipa de colírio de pimenta, até enxergarem que o cliente tem sempre razão.
Alessandro Barreto.

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